terça-feira, 6 de março de 2012

Desventuras Em Série

Viver é difícil, não acho que qualquer um com bom senso vá discordar. Aliás, se fosse fácil, a vida não daria motivos para boas histórias e mentiras confortáveis. Precisamos dessa loucura como motivação e inspiração, por mais que em alguns momentos doa ou nos estresse, ela nos motiva, torna melhores, valoriza os momentos de calmaria e prepara para a próxima tempestade. Mas sempre que passamos por um novo percurso espinhento, parece que a vontade sai de nosso corpo nos primeiros momentos, não é? Aquela hora em que nos perguntamos “por quê?”. E não venham com essa bobagem de “alguns não se abalam com isso”, vocês que pensam assim vivem mais da ficção que aqueles que usam a ficção para fugir. Todos são afetados de alguma forma , porque é esse o propósito, é disso que se tira a solução das coisas que acontecem.
Viver é difícil porque muitas vezes as coisas só acontecem, independente da sua vontade e do quanto se esforça pelo contrário. Pessoas queridas morrem, ou pessoas que admira te decepcionam ou mesmo se afastam e nada disso depende da sua vontade ou dos seus esforços, elas só acontecem. O pior problema disso é que a sensação de impotência que sentimos deve ser o mais próximo do afogamento que podemos passar sem estar dentro d’água, o que mina nossas energias e engole nossa vontade. Lhe faz imaginar nas alternativas que tinha para evitar, lhe faz fantasiar sobre como seria se não tivesse acontecido; mas isso não vai mudar tanto quanto você não encontrará a resposta que procura, porque estava além de suas forças. O que resta é respirar fundo e tentar superar, ou resolver sabendo que não vai mudar o que já aconteceu, mas que pode mudar o que venha a acontecer. " 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012



Estou socando os meus trapos nos sacos.
Como sacos de lixo,
Como vida lixo.
Estou arrumando a minha mala,
Pra entrar nessa estrada,
Pra poder partir.
E se um dia eu voltar...
Espero a encontrar lá
No lugar em que eu a deixei.
E naquela árvore velha,
O meu nome eu marquei
Junto com aqueles que eu deixei,
E um dia amei.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

10 coisas que eu odeio em você



Odeio o modo como fala comigo e como corta o cabelo.
Odeio como dirige meu carro.
E odeio seu desmazelo.
Odeio suas enormes botas de combate e como consegue ler minha mente.
Eu odeio tanto isso em você, que até me sinto doente.
Eu odeio como está sempre certo.
E odeio quando você mente.
Eu odeio quando me faz rir muito, e mas quando me faz chorar.
Eu odeio quando não está por perto, e o falo de não me ligar.
Mas eu odeio principalmente, não conseguir te odiar. Nem um pouco, nem mesmo por um segundo, nem mesmo só por te odiar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



" Dizem que mudei
só digo que recomecei
Dizem que fugi
apenas me distraí de coisas desnecessárias
Dizem que estou fria
mas me acho mais amável
Dizem que evolui
mas penso, penso, penso e não chego a lugar algum
Dizem, dizem, dizem
eu não me lembro o que disseram. "

Mais tarde vai para as paginas de um drama

Ao som de Heart-Shaped Box
eu imaginei isso o ano todo
eu metendo o pé na porta da sala
com duas sub-metralhadoras
e bem no refrão
EU FUZILAVA TODOS AQUELES BASTARDOS

sábado, 7 de janeiro de 2012

Res(pirando)

Parte II





Posso parecer fascinante, mas eu sou um problema. Um grande problema completamente perdido. As pessoas não entendem pelo que passo, ou o que desencadeou tanta revolta e esse olhar sangrento.
Andando por aquele corredor branco e vendo as pessoas que moravam la, foi meio que acordar de um pesadelo, acho que comecei a ver o lado bom, por mais impossível que ele pareça existir. La eu estava livre de tudo aquilo, eu não precisava mais mentir, fingir e armar pra cima das pessoas. No mundo la fora eu sou chamada de falsa, aqui, eu sou apenas uma paciente com sérios problemas psicológicos.
Alguns dizem que eu sou uma sociopata outros falam que é apenas uma fase. Vamos concordar que se a vida fosse feita de fases seria muito mais fácil, mas não, tudo o que passei vai continuar comigo e não vai ficar no level 1. E é muita bagagem pra carregar, tenho que pagar uma taxa extra pro futuro. As pessoas dizem que ele é inserto, mas não pra mim, sei muito bem o que me aguarda depois desse paraíso que as pessoas evitam chamar de hospício, e tenho certeza que não vai ter nada a ver com cheiro de grama molhada e gosto de maçã verde.
12, 13, 14... Fui passando pelos quartos até chegar ao meu, 17. Descobri que tinha uma colega de quarto, mas ainda não sabia quem era. Ela havia ido passar o fim de semana com a família, a enfermeira intrometida Ane falou que pacientes com bom comportamento são liberados um final de semana por mês. Que bom né? Não vejo à hora de passar um fim de semana de novo naquela cidade cheia de pessoas mesquinhas que fingem que se importam, parece até que elas não sabem que eu sou capaz de sentir o cheiro da mentira.
Não havia nada demais naquele quarto, tinha uma mesa, duas camas, um guarda roupa e um banheiro. A cama ao lado da minha estava completamente desarrumada e cheia de roupas, livros e maquiagens em cima. Algumas roupas me pareciam muito familiares. Coloquei a mala em cima da cama e guardei as minhas roupas na parte livre do guarda roupa cheio de repartições, por mim isso é frescura.
Sentei na cama, levantei, sentei, levantei. Não gostei. Vou demorar a me acostumar com ela, já a vista da janela do meu quarto que dava direto ao jardim cheio de bancos brancos, essa eu já estava familiarizada.
Fui dar uma volta e percebi que a maioria das pessoas internadas aqui não tem noção do que esta se passando com elas, outras até acham que não existe um mundo la fora, as vezes eu queria ter metade dessa ingenuidade.
Voltei pro quarto, deitei na cama, fechei os olhos e comecei a pensar na minha situação. Às vezes eu tenho certeza do que estou fazendo aqui, já outras, eu não faço ideia. Eu me pergunto quais são os meus defeitos e depois me pergunto novamente. São defeitos mesmo?